14 de julho de 2014

Poema: Na vitória e na derrota



Eu amo futebol, 
sempre quis ser jogador, 
acompanho diariamente como convicto torcedor. 
Sim! Também luto pelo país. 
Militante eufórico nas vitórias, 
triste nas derrotas, 
Faço como sempre fiz. 
Acompanhei a copa de casa, 
não tive grana da arquibancada. 
Sofro com as mazelas do Brasil 
e não abandono meu país por nada. 
Seja na seleção de futebol, 
botão, bocha, bilhar, atletismo, 
sou meu Brasil na contradição na imperfeição, 
infelizmente até no capitalismo que mata, frustra, exclui, deprime, 
mas nunca, seja seleção brasileira,
seja a galera socialista, corintiana, 
nunca, deixo de estar com meu time. 
 Se achar que sou menos militante que você,
porque a minha luta é diferente da sua,
lembre que é preciso unidade 
e para conquistar a unidade não basta ir para rua, 
é preciso debate com integridade, respeito, 
se possível consenso de que mobilizar 
não é apenas impor uma ideia contrassenso. 
Posso até estar errado, 
mas nos meus poucos 31 anos de idade 
aprendi que para conquistar alguém, 
inclusive a massa, é preciso compreender a diversidade.

7 de julho de 2014

Quanto Custa?

Enquanto isso na loja de sentimentos a mulher desesperada:

- Mais amor, por favor!
- Só me restam dois modelos.
- Quais são?
- O amor que custa mais caro e vem com o kit segurança.
- Mas o que é esse kit segurança?
- Basicamente (carro, casa e cartões gold)
- E o outro?
- O outro é bem baratinho, custa apenas uma demonstração de carinho.
- vem com algum kit?
- Sim, todos vem, no caso desse vem com: coletivismo, humanismo e solidariedade.
- Nossa, esse é ótimo, mas não enche barriga, por isso que está tão barato.
- Senhora, aqui não é lanchonete!
- Tudo bem, mas esse é antiquado, me vê o primeiro mesmo!
- Quanto custa?
- Sua felicidade.

SARAU como política pública


Roda de conversa "Sarau como Política Pública"
 Dia 16 de julho às 19h no Condô 
Inscrições pelo goo.gl/gjPztm
Evento gratuito _ produção Lab.E




3 de julho de 2014

Fragmentos





Egoísta


Se a bola é sua, leva ela embora e não amola,

a gente embola a sacola e volta pra rua,

dá olézinho meia-lua e avança,
enquanto você, egoísta, recua.

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Exposição


Curtida de gente enxerida?

Não existe truque no Facebook,

é só postar os problemas da sua vida.

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Vazio


Eu devo ser uma porcaria, 
porque a TV me diz que se comprasse as coisas que ela indica, 
eu melhoraria!


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Epicuro


Temer a morte não vou? 

Se estou ela não está, 

se ela está eu não estou!

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Sigo

Eu ando por onde nem sei 
 a base de dor e sorriso. 
Passo por onde parei 
e sigo pra onde preciso.

30 de maio de 2014

Ah, vai sim!

Pela redução de danos, de consumo e de assassinatos



A regulamentação do mercado de drogas no Brasil é um grande desafio, não apenas no embate ideológico que se propaga em torno do tema, mas a fundamentação da maneira como será implementada e enfrentamento das forças conservadoras que são opostas a essa política.

Isso porque o mercado ilegal das drogas movimenta valores astronômicos, perdendo apenas para o petróleo. São 210 milhões de usuários de drogas ilícitas no planeta. O Brasil vem sangrando na guerra contra o tráfico e sua combatividade está falida, muito também devido a defasagem do sistema público de segurança. As principais vítimas dessa falência sistêmica são jovens pobres e negros.

O genocídio praticado contra essa juventude da periferia é fator deliberante para que se mantenha autonomia da classe burguesa, ainda mais em um momento em que o país está avançando e que as políticas progressistas por garantia de direitos tem se estabelecido.

Pensar a regulamentação das drogas por uma questão social e de saúde pública é correta e vem se tornando chavão, porém, a pauta precisa ir além das fronteiras do que parece ser inevitável e trazer a discussão de elaboração de um sistema para os movimentos sociais e sociedade civil organizada.

A redução de danos é fundamental neste processo porque implica unicamente ao estado essa função. Em uma relação mercadológica com a regulamentação, podemos ampliar o problema ao invés de resolver, inclusive com criação de um novo mercado de drogas. Não é apenas reduzir o genocídio, mas também reduzir o consumo.

A mortandade da juventude não é única e exclusivamente fruto da guerra entre as forças opressoras do estado e os traficantes, mas o vicio como saída de uma realidade cruel oriunda da imensa desigualdade social e ausência do estado, justamente por ser ilegal. Refere-se desde as necessidades mais básicas até os direitos constitucionais que não são empregados em sua essência.

Então que usemos de exemplo a política adotada no Uruguai e criemos de forma participativa e democrática na construção de um projeto de lei que garanta liberdade do individuo, incentive a redução do consumo, impossibilite a mercantilização e ponha fim ao genocídio de nossa juventude.

29 de maio de 2014

Tucano assassina peixe


Sei quem nada é peixe, então peixe morre, porque dizem que não se deve dar o peixe e sim ensinar a pescar. Mas Alckmin está tirando a água. E nada na cozinha, nada pra copa, mas nem um quarto desses 20 anos faz com que os tucanos salvem os peixes do rio Tietê, nada de peixe, talvez porque tucano não nada, voa, e quem nada é peixe. Então voa voa voa passarinho e deixa a esquerda livre, porque no metrô também: nada. ;)

22 de maio de 2014

Legalizar maconha pra quê e pra quem?



O debate sobre a legalização da maconha está posto. Pode chamar também de regulação do mercado da cannabis. A questão é que o coletivo da Marcha da Maconha, organizado por diversas lideranças de outros movimentos, ou até mesmo que atuam como ativistas independentes reafirmaram na construção da marcha, a luta contra preconceito e a hipocrisia no debate sobre a erva. A questão não é sobre quem fuma, é sobre quem morre e sobre quem perde com a guerra do tráfico. Além de que, regular o mercado, não é mercantilizar a cannabis. 

Poderia buscar culpado pelos 50 mil assassinatos no Brasil por ano, mas o norte do debate está na solução para o fim deste genocídio. Isso passa por aspectos de uma possível reforma na segurança pública. Desde uma restruturação no sistema carcerário, passando pela unificação e humanização da polícia até a legalização de todas as drogas. 

No entanto, como a maconha é o principal produto na mão do crime organizado, consumida por 80% do total de usuários de drogas ilícitas, é uma experiência interessante tentar reduzir a violência legalizando a erva, além de regulamentar um mercado que já existe, pode também possibilitar a geração de receitas para o estado investir em saúde, ciência e possibilitar uma solução para a redução do genocídio da juventude pobre e negra no país. 

O que gera essa violência toda e assassina aproximadamente 26 mil jovens de 15 a 29 anos, sendo 91,3% homem e 76,6% negro é o despreparo da polícia, a ausência do estado nas periferias e a situação de miséria que boa parte da população se encontra, para estes, o descaso do estado é algo concreto. 

A regulamentação do mercado da Maconha pode gerar renda ao mesmo tempo em que enfraquece o financiamento do crime organizado e estimula, de certa forma, a agricultura familiar. Nada impediria a formação de cooperativas de cultivadores da erva, como é no Uruguai. Aliás, o país do presidente mais querido do mundo, O Mujica, foi o primeiro a regulamentar o mercado da maconha no planeta. 

A “verdinha” é a droga mais consumida no mundo, são 180 milhões de maconheiros segundo relatório anual sobre Drogas de 2013, da ONU. Não vou nem entrar no contexto se a Maconha faz bem ou mal, esse é outro debate, mas é importante saber que não faz tão mal quanto sua latinha de cerveja diária. A questão é como efetivar essa política pública sem dar margem para a industrialização do mercado e ao mesmo tempo gerar recursos para investir em saúde preventiva, ciência medicinal e comunicação para incentivo à redução do consumo. 

Sem chegar a conclusão de um possível avanço na sociedade com a regulação de mercado que já existe, o Brasil segue com pequenas ações efetivas em políticas públicas. Foi realizada uma pequena modificação na lei 11.343 de 2006 que extingue a pena de prisão de usuários de drogas, mas mantém a conduta como sendo crime. Uma contradição que precisa ser superada. 

A iniciativa de lideranças de diversos setores da sociedade e de entidades e coletivos independentes em levar ao senador Cristovam Buarque do PDT/DF, o apoio a proposta de iniciativa popular do projeto Nº 8 de 2014 que visa a regularização do uso da maconha no Brasil foi de fundamental para marcar espaço nesta luta. A nota aborda diversas questões sobre o consumo, os efeitos e as consequências da cannabis. Diante da necessidade de se encarar um problema crônico da cidade, a melhor solução ainda é humanizar o processo, qualquer questão contrária é individualismo ou hipocrisia. 

Em outros países há dados positivos sobre esse processo. No Canadá, a projeção para 2024 é que o país gere receita de impostos - com a venda de maconha seca e sementes - algo em torno de 1,3 bilhão de dólares canadenses. São aproximadamente 37 mil cidadãos canadenses licenciados para cultivo medicinal ou consumo da erva através de pequenos produtores. 

Portugal que tem as drogas descriminalizadas há mais de 10 anos, apresenta uma redução considerável do consumo entre jovens. A Holanda apresenta índices menores que muitos países da Europa Ocidental onde as drogas são proibidas. Além de diversos estados americanos que legalizaram para fins medicinais e uso recreativo. 

Até quando a hipocrisia vai contrapor a liberdade individual e o possível desenvolvimento científico, social e econômico de uma sociedade? Enquanto muitos dormem no caminho, a bandeira da legalização na mão do ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardozo me assusta, pois não é a toa que diante do tema, não levante uma propositura numa eventual regulamentação, me parece conchavo com alguma multinacional do ramo. Enquanto a isso a Monsanto vem sendo acusada em alguns países de fazer lobby pela regulamentação, nós seguimos na mesma onda, perdido no jacaré, bebendo água salgada, sem conseguir dropar e sem saber para onde parar. É necessário ficar atento para que não se caia na armadilha do mercado.