18 de agosto de 2014

A entrevista maldita


“Essa entrevista é uma farsa. Não sei porque ainda esperava algo diferente. Achei que o ‘pegar pesado’ do âncora fosse sair um pouco mais desafiador, mas foi esperança demais.”  Essa frase está gravado em um Whatsup enviado para sua querida namorada Fátima.

Willian chacoalhava a televisão em sua modesta sala na Cohab de um subúrbio paulistano e gritava para toda a vizinhança ouvir: É UMA FARSA! É UMA FARSA!

O Jovem garoto foi encontrado morto na sala de casa, eletrocutado. Ele estava dentro de uma piscina de plástico cheio de água com a televisão. Segundo a vizinha: no dia anterior ele estava gritando muito, depois disso, não ouviu mais nada! 

- Ele se matou logo após a entrevista da presidenta!

O Canal de Televisão não deixa de mostrar sua vontade inquestionável de voltarmos ao coronelismo. De que adianta pedir desculpas em editorial sobre sua conduta no regime militar e querer tirar a força da presidenta sua postura republicana? Porra jornalista, ela é presidenta.  “Não é uma questão subjetiva”.

Teria a falta de profissionalismo de um jornalista levado um jovem garoto do subúrbio paulistano ao suicídio? 

Para onde vai tudo isso? Sem falar que escândalo de corrupção virou a própria corrupção. Para o jornalista - sob a batuta do clã - não importa se foi inocentado ou ainda nem foi julgado, a condenação é antecipada. Seguindo essa lógica então está fácil dizer que todo mundo é corrupto. Vamos sair por aí vendendo jornais aos escândalos.

ATENÇÃO, ATENÇÃO: TELEVISÃO NEM NEGA, NEM NÃO NEGA QUE SONEGA
ATENÇÃO, ATENÇÃO: TELEVISÃO NEM NEGA, NEM NÃO NEGA QUE SONEGA
ATENÇÃO, ATENÇÃO: TELEVISÃO NEM NEGA, NEM NÃO NEGA QUE SONEGA

O Jornalista estava tão incorporado que se tivesse mais 2 minutos perdia a postura de jornalista. Ele não fazia perguntas, ela aplicava sansões na presidenta baseado em dados questionáveis. Nem a presidenta reconheceu tamanho descontrole. Aliás, ela sabia dos perigos.

Willian acreditava que aquela entrevista era última oportunidade da presidenta falar sobre a regulamentação da comunicação no país. Uma bandeira democrática e comum em muitos países do mundo, quase todas as grandes potências.

O jovem garoto tinha uma amiga poeta, amiga de infância, viviam lado a lado. Suas poesias calavam as palavras aos ouvidos do mundo. Ele se sentia livre ao lado dela e nunca perdia o senso crítico. Lembro que sempre se questionava nas noites a beira do lindo riacho na marginal paulista:

- De onde vem esse cheiro maravilhoso de progresso?

“Sugiro que o clã pare de querer levantar a bandeira da democracia. Primeiro pelo passado negro, segundo pela comprovação do dia a dia do monopólio das comunicações mais querido da Confederação Brasileira de Futebol Feminino. Aliás, as mulheres tomaram o poder e alguns rebeldes jamais aceitarão”. Essa comprovação esta no movimento dentro de ambas instituições: “Indiretas Já e Sempre”.

Willian também adorava futebol:

“Agora me diga: que 15 minutos mais antidemocrático?  Alguém faça uma pesquisa da porcentagem de posse de bola do time do clã e verás. Contudo, mesmo assim não conseguiu marcar um gol.”

O Jornalista, além de fazer uma entrevista de Youtube, com apenas 15 minutos, ainda quer resposta da presidenta em 140 caracteres. (Comentário capturado pela CIA do correio eletrônico do assessor do secretário do vice-presidente do conselho tutelar de Itapetiba da Serra)

- A gente sofre demais, né? A vida de uma pessoa não pode ser definida em 15 minutos! Respondeu o assessor.

“O pedir do voto quase aos berros no final do programa foi o mais genial e porque ela pediu o voto? Pela economia adotada pelos anos de governo comunista, questionada pelo errante jornalista. Esse não é um jogo de inocente ou culpado. Esse é um jogo de escândalos e quem tem mais: o povo perde. Quem tem menos perde o povo. Pois é, quem será a próxima vítima?

12 de agosto de 2014

Xiitas do Facebook




Não tenho dúvidas que boa parte da juventude não quer saber desse infindável embate entre tucanos e petistas nas redes sociais. Simplesmente porque odeiam política, e esse ódio tem se proliferado com o excesso de postagens sobre o tema no Face.

Não estou dizendo para abdicarmos de travar essa luta de ideias. Seria suicídio político. Aliás, é um debate que precisa ser ampliado, mas como?

Qual o perfil de cidadão que estamos formando?

O Facebook está coberto de xiitas bombardeando de “memes” a linha do tempo desses pobres coitados. Xiitas da esquerda e da direita. Memes com informações picadas, sem o aprofundamento necessário.

Desmilitarização aqui, regulamentação ali, neutralidade acolá, entre outros palavrões que carregam consigo milhões de significados.

Embora sejam bandeiras importantes para o rumo do nosso país, não diz muito para quem enfrenta a escola pública e seu formato retrógrado de ensino ou para quem trabalha o dia inteiro para ajudar a mãe colocar comida em casa. A política tem que chegar, fazer parte da realidade.

Será que na ânsia de não saber em quem mais acreditar, o internauta decidiu chutar tudo e colocar todos no mesmo balaio de gato? Será que o fator alienante também passa pelo excesso de paixão de militantes virtuais?

As pessoas não estariam cansadas de tantas verdades absolutas?

- O cara só fala de política! Todo mundo é um cientista político em potencial. Isso é ótimo, mas é péssimo!

O Facebook se tornou a fonte de informações dessa juventude, agora imagina o tanto de informações fragmentadas por absorver?

Não podemos subestimar a inteligência do povo, mas se não desistir nos primeiros 10 minutos, vai terminar a eleição e não terá chegado a uma conclusão.

A despolitização causada pela polarização é tão ruim quanto a informação falaciosa.

Porém, acredito que a imprensa golpista, tenha sua grande parcela de culpa, no entanto, não é a mais a única culpada neste processo.

Infelizmente, o que me parece que o formato da postagem seja mais importante que o próprio conteúdo.

Essa é uma armadilha e o que fazer?

Fiquemos atentos e sejamos interessantes!

1 de agosto de 2014

Futebol é programação



O caso de amor do brasileiro com o futebol é uma relação de dominação. Quem controla o joguinho é conhecido como Rede Globo. O nome faz sentido! Rede da trave, Globo de Bola, chutou, bateu, é gol do Marinho, centroavante do Esporte Clube Sonegação, uma verdadeira seleção familiar na TV Brasileira.

Nós emprestamos uma coisinha para a Rede Globo, mas ela acha que é dona. Essa coisinha bancada por nossa bufufa é chamada de concessão pública. Então não pode ir achando que é dona da bola, afinal está pisando em nosso gramado.

Mesmo assim, ousada, acha que pode defecar regra:

1 – Se não puder ir ao estádio vai assistir o jogo que eu quiser a menos que pague.
2 – Eu vou controlar os horários e os dias dos jogos, e do metrô também.
3 – Eu vou ganhar muito dinheiro com os direitos de transmissão e “só negar”. ;)
4 – Eu vou controlar os tucanos, a CBF e o povo brasileiro. Menos o Edir Macedo.
5 – O torcedor brasileiro me ama e só assiste "O império".

O Bom Senso Futebol Clube cobra bom senso dos clubes de futebol, mas do torcedor, quem cobra? Só cobra!

Esses clubes de futebol que compactuam com tal esquema parece que descobriram que se jogarem sozinhos, todo mundo pode fazer gol. Não tenho dúvidas que um dia, todo time faz gol contra.

Gol não precisa ser de placa, mas raça é fundamental. E qual o papel da torcida? Torcedor bom é torcedor consciente. Torcedor guerreiro é torcedor revolucionário. Daqueles que se organizam para desorganizar o sistema corrompido do jogo, não apenas no papel.

Nosso futebol só se tornará realmente popular, quando deixar de ser elitizado. O futebol vai invadir realmente as massas, quando for democrático. Sabemos que o Marin é igual aos Marinhos, adora uma dita dura.

Não posso escolher o jogo que quero assistir? Boicote nos estádios, boicote nas redes e nas ruas; boicote ao Marin; boi corte o sinal da Rede Globo!

Agora venhamos e convenhamos, metrô tem que funcionar 24h, né não? Nem por isso significa que jogo tem que ser tão tarde. São apenas 90 minutos de emoção e nada de redução da jornada de trabalho.

O horário de trabalho tirou férias e o de lazer está cobrindo? Mas tudo bem, futebol não é lazer, futebol é programação.

14 de julho de 2014

Poema: Na vitória e na derrota



Eu amo futebol, 
sempre quis ser jogador, 
acompanho diariamente como convicto torcedor. 
Sim! Também luto pelo país. 
Militante eufórico nas vitórias, 
triste nas derrotas, 
Faço como sempre fiz. 
Acompanhei a copa de casa, 
não tive grana da arquibancada. 
Sofro com as mazelas do Brasil 
e não abandono meu país por nada. 
Seja na seleção de futebol, 
botão, bocha, bilhar, atletismo, 
sou meu Brasil na contradição na imperfeição, 
infelizmente até no capitalismo que mata, frustra, exclui, deprime, 
mas nunca, seja seleção brasileira,
seja a galera socialista, corintiana, 
nunca, deixo de estar com meu time. 
 Se achar que sou menos militante que você,
porque a minha luta é diferente da sua,
lembre que é preciso unidade 
e para conquistar a unidade não basta ir para rua, 
é preciso debate com integridade, respeito, 
se possível consenso de que mobilizar 
não é apenas impor uma ideia contrassenso. 
Posso até estar errado, 
mas nos meus poucos 31 anos de idade 
aprendi que para conquistar alguém, 
inclusive a massa, é preciso compreender a diversidade.

7 de julho de 2014

Quanto Custa?

Enquanto isso na loja de sentimentos a mulher desesperada:

- Mais amor, por favor!
- Só me restam dois modelos.
- Quais são?
- O amor que custa mais caro e vem com o kit segurança.
- Mas o que é esse kit segurança?
- Basicamente (carro, casa e cartões gold)
- E o outro?
- O outro é bem baratinho, custa apenas uma demonstração de carinho.
- vem com algum kit?
- Sim, todos vem, no caso desse vem com: coletivismo, humanismo e solidariedade.
- Nossa, esse é ótimo, mas não enche barriga, por isso que está tão barato.
- Senhora, aqui não é lanchonete!
- Tudo bem, mas esse é antiquado, me vê o primeiro mesmo!
- Quanto custa?
- Sua felicidade.

SARAU como política pública


Roda de conversa "Sarau como Política Pública"
 Dia 16 de julho às 19h no Condô 
Inscrições pelo goo.gl/gjPztm
Evento gratuito _ produção Lab.E




3 de julho de 2014

Fragmentos





Egoísta


Se a bola é sua, leva ela embora e não amola,

a gente embola a sacola e volta pra rua,

dá olézinho meia-lua e avança,
enquanto você, egoísta, recua.

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Exposição


Curtida de gente enxerida?

Não existe truque no Facebook,

é só postar os problemas da sua vida.

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Vazio


Eu devo ser uma porcaria, 
porque a TV me diz que se comprasse as coisas que ela indica, 
eu melhoraria!


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Epicuro


Temer a morte não vou? 

Se estou ela não está, 

se ela está eu não estou!

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Sigo

Eu ando por onde nem sei 
 a base de dor e sorriso. 
Passo por onde parei 
e sigo pra onde preciso.

30 de maio de 2014

Ah, vai sim!

Pela redução de danos, de consumo e de assassinatos



A regulamentação do mercado de drogas no Brasil é um grande desafio, não apenas no embate ideológico que se propaga em torno do tema, mas a fundamentação da maneira como será implementada e enfrentamento das forças conservadoras que são opostas a essa política.

Isso porque o mercado ilegal das drogas movimenta valores astronômicos, perdendo apenas para o petróleo. São 210 milhões de usuários de drogas ilícitas no planeta. O Brasil vem sangrando na guerra contra o tráfico e sua combatividade está falida, muito também devido a defasagem do sistema público de segurança. As principais vítimas dessa falência sistêmica são jovens pobres e negros.

O genocídio praticado contra essa juventude da periferia é fator deliberante para que se mantenha autonomia da classe burguesa, ainda mais em um momento em que o país está avançando e que as políticas progressistas por garantia de direitos tem se estabelecido.

Pensar a regulamentação das drogas por uma questão social e de saúde pública é correta e vem se tornando chavão, porém, a pauta precisa ir além das fronteiras do que parece ser inevitável e trazer a discussão de elaboração de um sistema para os movimentos sociais e sociedade civil organizada.

A redução de danos é fundamental neste processo porque implica unicamente ao estado essa função. Em uma relação mercadológica com a regulamentação, podemos ampliar o problema ao invés de resolver, inclusive com criação de um novo mercado de drogas. Não é apenas reduzir o genocídio, mas também reduzir o consumo.

A mortandade da juventude não é única e exclusivamente fruto da guerra entre as forças opressoras do estado e os traficantes, mas o vicio como saída de uma realidade cruel oriunda da imensa desigualdade social e ausência do estado, justamente por ser ilegal. Refere-se desde as necessidades mais básicas até os direitos constitucionais que não são empregados em sua essência.

Então que usemos de exemplo a política adotada no Uruguai e criemos de forma participativa e democrática na construção de um projeto de lei que garanta liberdade do individuo, incentive a redução do consumo, impossibilite a mercantilização e ponha fim ao genocídio de nossa juventude.

29 de maio de 2014

Tucano assassina peixe


Sei quem nada é peixe, então peixe morre, porque dizem que não se deve dar o peixe e sim ensinar a pescar. Mas Alckmin está tirando a água. E nada na cozinha, nada pra copa, mas nem um quarto desses 20 anos faz com que os tucanos salvem os peixes do rio Tietê, nada de peixe, talvez porque tucano não nada, voa, e quem nada é peixe. Então voa voa voa passarinho e deixa a esquerda livre, porque no metrô também: nada. ;)